Variantes brasileiras da covid-19: médicos e políticos na França exigem o bloqueio de voos do Brasil.

Cresce a pressão na França para o governo suspender os voos provenientes do Brasil, para evitar a entrada de novas variantes brasileiras do coronavírus. O líder da oposição conservadora na Assembleia Nacional, deputado Damien Abad, disse hoje que o fechamento das fronteiras é “útil e absolutamente necessário”, no momento em que especialistas alertam sobre a gravidade da pandemia no Brasil e recomendam a adoção de um isolamento obrigatório e vigiado de pelo menos 10 dias a todos os viajantes provenientes do país.

O pediatra Rémi Salomon, presidente da comissão profissional de médicos que trabalham nos 39 hospitais públicos da região parisiense, defende que a França faça como Portugal, que interrompeu temporariamente voos provenientes do Brasil. Até o momento, a variante brasileira P1 representa apenas 0,5% dos casos diagnosticados no território francês, onde a cepa britânica é predominante. Mas devido à falta de controle da epidemia no Brasil, as mutações tendem a se multiplicar e se tornar resistentes às vacinas, advertem os especialistas.

O ministro francês dos Transportes, Jean Baptiste Djebbari, afirmou ontem que a França é obrigada a manter as conexões aéreas com o Brasil, segundo um parecer do Conselho de Estado, instância que avalia o cumprimento da Constituição. “O Conselho de Estado nos disse que cidadãos franceses e residentes na França, em nome da liberdade de circulação, devem poder continuar a vir, o que não foi o caso de Portugal ou de outros países”, explicou.

Brasil é ameaça às campanhas de vacinação

O jornal Le Parisien entrevista vários médicos sobre os riscos que representam as variantes brasileiras. O epidemiologista Antoine Flahault, da Universidade de Genebra, destaca que apesar de a cepa britânica ser atualmente predominante no território francês e nos países europeus, uma mutação vinda do Brasil pode ser a próxima ameaça às campanhas de vacinação na Europa. “A cepa P1, de Manaus, matou milhares de pessoas na Amazônia, mas agora existe também a variante P2 e a terrível Belo Horizonte, que combina 18 mutações”, escreve o diário francês.

Rémi Salomon também defende nas páginas do Parisien um reforço dos controles nos aeroportos e uma quarentena compulsória dos viajantes. Atualmente, a entrada de brasileiros ou de europeus provenientes do Brasil foi restringida a 1.000 pessoas por semana nos países da União Europeia, mas basta uma dezena de casos positivos para que a forma mais agressiva da covid-19 se espalhe no bloco.

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